sábado, 6 de abril de 2013

Questões de vestibular (PUC-RJ)

História - PUC-RJ
Prova discursiva 2001
Questões 

 

 

1

"O que é o Terceiro Estado? Tudo. O que tem sido até agora na ordem política? Nada. O que deseja? Vir a ser alguma coisa.
Ele é o homem forte e robusto que tem um dos braços ainda acorrentado. Se suprimíssemos a ordem privilegiada, a nação não seria algo de menos e sim alguma coisa mais. Assim, que é o Terceiro Estado? Tudo, mas um tudo livre e florescente. Nada pode caminhar sem ele, tudo iria infinitamente melhor sem os outros (...)."
Abade Sieyès. O que é o Terceiro Estado?


Considerando o texto apresentado,
A) identifique 2 (dois) grupos sociais que compunham o Terceiro Estado e explique seus descontentamentos às vésperas da Revolução Francesa; 




Resposta

a) O candidato poderá identificar dois destes grupos sociais: A alta burguesia, formada por banqueiros, grandes comerciantes e grandes manufatureiros que, apesar de se beneficiarem com o monopólio do comércio externo, estavam descontentes por pagarem tributos, não terem privilégios de nascimento ( o julgamento em Tribunais especiais, os direitos de caça, o acesso aos cargos da Corte, aos comandos militares e às dignidades eclesiásticas, por exemplo) e nem poder político; a média burguesia, formada por proprietários de oficinas artesanais, lojas de comércio, profissionais liberais e funcionários do Estado, estava descontente com o Antigo Regime pela obrigação do pagamento de inúmeros tributos, pelo não usufruto de privilégios, pela pouca representação política e pelas limitações econômicas impostas pela política mercantilista do Estado absolutista como por exemplo, sua exclusão do monopólio do comércio externo; a baixa burguesia, formada na maioria poe pequenos comerciantes e artesãos, reclamava do peso do pagamento dos tributos (dízimo, talha real, corvéia, banalidades, impostos alfandegários, pedágios internos que dificultavam a circulação de mercadorias), das limitações impostas pelos regulamentos das Corporações de Ofício, da falta de privilégio e de participação política; os trabalhadores urbanos assalariados, além de descontentes com o ônus do pagamento de tributos e da exclusão de qualquer participação política, sentiam mais de perto os efeitos da crise do Antigo Regime pelas precárias condições de trabalho e de vida em que viviam nas cidades; e os camponeses livres e servos que, enraizados à terra há séculos, não conseguiam se libertar dessa condição, viviam cada vez mais empobrecidos pelo insuportável custo dos tributos (além dos tributos regulares pagos ao Estado e à Igreja, ainda pagavam obrigações aos senhores) e não tinham acesso à representação política.




B) cite, a partir dos descontentamentos do Terceiro Estado em relação ao Antigo Regime, 2 (duas) ações empreendidas pelos revolucionários franceses que tenham contribuído para alterar esta situação. 



Resposta
        b) A defesa dos princípios de liberdade e de igualdade jurídica através da abolição dos privilégios, da Constituição Civil do Clero, da liberdade de associação, do confisco dos bens eclesiásticos, da proclamação dos Direitos do Homem e do Cidadão, de medidas adotadas para a implantação de governos representativos (voto censitário, sufrágio universal), da abolição da escravidão nas colônias francesas, entre outras medidas.


2
"Quando a Guerra Civil começou, ninguém devia ter ficado muito surpreso, porque os conflitos de interesse entre Norte e Sul, e a incapacidade crescente de resolvê-los, tinham uma longa história que remonta às próprias origens da república americana."
(Peter Louis Eisenberg, A Guerra Civil Americana, SP: Ed. Brasiliense, 1982. p 39)
Considerando o texto apresentado,
A) cite 2 (dois) conflitos entre a sociedade do Norte e a do Sul que sejam anteriores à eclosão da Guerra Civil americana; 



Resposta
Podem ser mencionados conflitos relativos:
a) à dificuldade de se estabelecer uma política em relação às terra públicas nos territórios a Oeste: a antiga Ordenança do Noroeste, de 1787 (que estabelecia que os territórios a noroeste do Rio Ohio seriam livres da escravidão) teve de ser revista logo como bem demonstraram os Acordos do Missouri , de 1820, e o Projeto Wilmot, de 1848, e a Lei de 1850
b) à forma específica de ingresso dos territórios tornados estados na União: segundo o Norte, nos novos estados deveriam florescer apenas sociedades livres; segundo o Sul, o modelo da sociedade escravista deveria continuar e se estender ao Oeste; havia ainda uma terceira posição - a dos próprios novos estados que queriam decidir seu próprio rumo independentemente do disputado equilíbrio entre Norte e Sul.
c) à tentativa de manutenção da escravidão a todo custo pelos sulistas: com a negociação cada vez mais difícil do cumprimento de determinadas leis federais (como por exemplo a que obrigava à devolução de escravos fugitivos pelos estados livres), a solução secessionista era, em alguns estados sulistas já apresentada como inevitável.
d) ao descontentamento dos nortistas com a enorme bancada sulista no Congresso uma vez que a existência de escravos em grande quantidade no Sul contava para a representação proporcional (segundo cláusula da Constituição Americana, apesar de não votarem e serem considerados propriedade de outros homens no Sul, os escravos podiam ser contados para aquele efeito da seguinte forma => cada escravo corresponderia a 3/5 partes de um homem branco e livre).
e) à defesa de políticas econômicas diferenciadas: enquanto o Norte defendia o o protecionismo alfandegário (como defesa de sua precoce industrialização), o Sul era a favor do livre-cambismo (mais interessante à exportação de seu principal produto - o algodão).
f) à intensificação do movimento abolicionista nas cidades do Norte (ao longo da década de 1830) e sua difusão sob a forma de propaganda aos estados do Sul.
g) à pouca importância das relações escravistas para a economia dos estados do Norte, onde predominava o assalariamento, em contraste com o papel que tinha a escravidão no Sul, considerada espinha dorsal daquela economia no período. 




B) explique por que a emancipação dos escravos tornou-se uma questão ameaçadora e não negociável para o Sul. 





Resposta
A emancipação tornou-se uma questão ameaçadora para o Sul porque:
a) A manutenção da escravidão era crucial para aqueles estados. A escravidão era não apenas o sustentáculo das principais atividades econômicas do Sul, mas estruturava também todo um modo de existência social (relações de dominação política específicas, hierarquias sociais, costumes e atitudes dos diferentes grupos sociais envolvidos).
b) A escravidão como ordem ou instituição social expressava, ademais, a existência de um complexo universo mental que cabia ao Sul defender a qualquer custo, posto que o seu fim representaria, inevitavelmente, o fim também do modo de ser sulista .
c) A presença de uma grande porcentagem de negros escravizados ou libertos em determinados estados (como, por exemplo, na Carolina do Sul) constituía uma ameaça permanente às elites sulistas desses lugares. Para defender-se abusavam de leis draconianas para cercear a mobilidade do negro liberto (os chamados códigos negros) e descartavam a priori qualquer possibilidade de discutir a emancipação e a abolição.
d) A Declaração de Emancipação (1863), de Lincoln, ao reconhecer como livres todos os escravos nos Estados inimigos da União, implodia mais ainda a tentativa de resistência das forças confederadas.


3

O desenvolvimento econômico nacional foi um tema central dos debates políticos que, no início dos anos sessenta, mobilizaram diversos grupos sociais e os governos brasileiros da época. Particularmente, durante o governo João Goulart, esta temática figurou em projetos que a associaram à possibilidade de criação de uma ordem política democrática no Brasil. O movimento militar que ocasionou a deposição do presidente João Goulart, em 1964, por seu turno, acabou por implementar ações que redirecionaram tais perspectivas de desenvolvimento econômico.


A) Identifique 2 (duas) propostas do Governo João Goulart (1961-64) relacionadas à associação entre desenvolvimento econômico e democracia.





Resposta
A perspectiva do Governo João Goulart caracterizou-se, entre outros aspectos, por enfatizar propostas de desenvolvimento econômico capitalistas desconcentradoras de renda, valorizando e buscando legitimar a participação dos trabalhadores na conquista de novos patamares de bem estar social. Neste sentido, o aluno poderá identificar diversos aspectos, como por exemplo:
- A legalização dos sindicatos rurais; tolerância em relação à CGT (Comando Geral dos Trabalhadores);
- A proposta das Reformas de Base: reforma agrária, reestruturação da universidade, reforma tributária (inversão na carga de impostos), reforma bancária (crédito para pequenos e médios proprietários), reforma eleitoral (voto para analfabetos);
- A continuação da Política Externa Independente;
- A formulação do Plano Trienal (como um pacto para a viabilização das reformas);
- A anistia para os não oficiais revoltosos - sargentos e marinheiros do Exército e da marinha.



B) Explique em que direção os governos militares reorientaram a política de desenvolvimento econômico que vinha sendo formulada pelo Governo Goulart. 





Resposta
Os governos militares deram ênfase à associação entre desenvolvimento e segurança nacional, conforme a Doutrina formulada pela Escola Superior de Guerra (ESG). Nesses termos, o desenvolvimento econômico esteve associado aos grandes capitais internacionais e a participação democrática sofreu restrições em função da defesa da segurança do Estado; assim diversos grupos e suas respectivas reivindicações foram enquadrados como ameaças internas à segurança da Nação e do Estado.
O aluno poderá explicar diversas ações relacionadas à formulação acima, destacando-se, entre outras:
- A política econômica de crescimento que redundou no "milagre brasileiro";
- O estrito controle da participação e da expressão dos diversos movimentos sociais, através de censura e/ou intervenções nas respectivas associações;
- A política centralizadora de concessão de benefícios previdenciários;
- A extinção do pluripartidarismo e a implantação do bipartidarismo.



4

O trabalho escravo indígena e do negro africano desempenhou papel fundamental na colonização da América Portuguesa.
A) Considerando-se que, nos primórdios da colonização, o recurso à escravização dos "negros da terra" - isto é, dos indígenas _ foi uma prática recorrente inclusive nas áreas de plantio da cana-de-açúcar, cite 1 (uma) razão que tenha contribuído para a progressiva substituição dos escravos indígenas por escravos de origem africana nessa áreas. 




Resposta
O aluno poderá citar como razões:
. a escassez crescente de indígenas em função das fugas constantes e dos altos índices de mortalidade verificados;
. o posicionamento da Igreja interessada na catequese da população indígena e que se desdobrava em oposição a sua escravização;
. os interesses da burguesia mercantil portuguesa, relacionados aos lucros provenientes do tráfico escravo intercontinental;
. o interesse do Estado português em transformar tribos indígenas através de sua assimilação por meio da catequese em agentes que contribuiriam para a garantia da soberania portuguesa sobre a terra.



B) Caracterize 1 (uma) repercussão econômica, social ou demográfica do fim do tráfico negreiro intercontinental para a sociedade brasileira em meados do século XIX.





Resposta

O aluno poderá indicar e explicitar, por exemplo:
. o crescimento do tráfico escravo interprovincial. Grandes proprietários de escravos e de terras do nordeste em dificuldades econômicas vendiam a preços crescentes escravos para os plantadores de café do sudeste que demandavam crescimento de mão-de-obra no momento de expansão da lavoura cafeeira;
. a disponibilização de capitais até então imobilizados no tráfico para investimentos em outros setores da economia, tais como: setor de serviços, setor industrial e setor agrícola, mormente para a lavoura cafeeira;
. melhoramentos no campo dos transportes


5
"O fim do bloqueio a Berlim em maio de 1949 não impediu que os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França mantivessem sua firme presença nos setores de ocupação ocidental da cidade. A partir daí, as fronteiras da Guerra Fria ficaram congeladas na Europa por mais de uma geração. (...) Relutantes em alterar o status quo europeu do pós-guerra, (...) em função do alto custo das mudanças para ambos os lados, (...) o campo de batalha da Guerra Fria foi deslocado para a Ásia e o Oriente Médio."
adaptado de Robert O. Paxton, Europe in the 20th Century (pp 557-8)


Considerando o texto apresentado,
A) cite 2 (dois) exemplos de conflitos asiáticos que exemplifiquem o deslocamento das maiores tensões da Guerra Fria para a Ásia e o Oriente Médio; 





Resposta
Os alunos poderão citar como exemplos de crises e conflitos na Ásia e no Oriente Médio:
. as crises do Irã, 1945/46 e 1951/53.
. a Guerra da Coréia, 1950-53.
. a Indochina, 1946/54; auxílio militar franco-americano ao Vietnã do Sul a partir de 1954.
. a nacionalização do canal de Suez, 1956; seguida de intervenção inglesa e francesa.
. a Jordânia, 1957.
. a guerra entre a Síria e o Líbano, 1958; seguida da intervenção dos EUA neste último país.
. o Iraque, 1958.
. o Tibete, 1960.
. o início da escalada americana no Vietnã, 1960; com a guerra se estendendo até 1972.


B) explique de que forma ou a partir de que mecanismos foram mantidas, no continente europeu, as respectivas áreas de influência das duas principais potências durante a Guerra Fria.


Resposta
Os alunos poderão relacionar em suas explicações da divisão da Europa em blocos, algumas das seguintes organizações criadas (de natureza econômica e militar) e medidas implementadas:
. o Plano Marshall
. Conselho de Assistência Econômica Mútua, COMECON.
. Comunidade Econômica Européia, CEE.
. o Pacto de Varsóvia
. Organização do Tratado do Atlântico Norte , OTAN.
. a Doutrina Truman
. a reativação do Cominform.
. os primeiros acordos para contenção de armas nucleares, em 1953.

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